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Kiko Rock faz 51: homenagem a uma lenda viva do skate mineiro

Frederico Manica

01/10/2026

A Central do Skate celebra os 51 anos de Kiko Rock, skatista de Divinópolis e personagem singular da cultura skateboard brasileira. Uma homenagem bem-humorada à sua trajetória, ao lendário Kiko Móvel, às incontáveis sessões e Skatetrips Brasil afora!

NOTA EXTRAORDINÁRIA À CIDADE DE DIVINÓPOLIS

De Divinópolis para o mundo, entre o skate andado, o lendário Kiko Móvel, a galhofa mineira e uma vida inteira sem aceitar a obrigação social de ficar sério.

KIKO ROCK — 51 anos do octacampeão da própria vida


Hoje JAMAIS seria um dia comum. 1º de outubro de 2026.

Completa mais um ano de atividade em solo nacional Kiko, lenda viva do skate andado, patrimônio skatístico-arte-afetivo de Divinópolis e octacampeão da própria vida — sobrevivente das proibições de Jânio Quadros, de modas que juravam ser eternas, de sessões imprudentes e de escolhas que, em qualquer outro cidadão, talvez tivessem encerrado a biografia alguns capítulos antes.

Kiko faz 51.
E não por acaso.

Há idades que são apenas números.
51 é categoria. 51 é doutrina. 51 é estado de espírito.
Tem gente que faz cinquenta e um anos.

Kiko faz o Ano da nossa valorosa Caninha.

A benzina de mineiro. O limpa-goela. A branquinha. A marvada. A água que passarinho não bebe. A água ardente. A parati. A birita. O goró. A mata-bicho. A abre-coração. A levanta-defunto. A espanta-frio. A tira-teima. A quebra-jejum. A sossega-leão. A arranca-toco. A esquenta-peito. O consolo de pobre. O remédio de homem. O leite de onça. O suor de alambique. O combustível de violeiro.

E paro por aqui, pois os invidiosos poderão me acusar de gostar disso dae.

Nascido em Divinópolis, terra de Adélia Prado, Kiko ajudou a provar que a cidade não produziu somente poesia. Produziu também um espécime raríssimo de mineiro capaz de transformar qualquer esquina, qualquer conversa e qualquer rolê numa mistura de crônica, sessão de skate e ocorrências parecidas — JAMAIS iguais.

É o ROCK.

Ao longo da vida, acumulou feitos memoráveis:

  • andou de skate quando ainda era mais fácil ser incompreendido do que aplaudido;
  • sobreviveu a uma época em que andar de skate podia literalmente virar caso de polícia;
  • atravessou modas, tendências, revoluções culturais e alguns diagnósticos precipitados de fim do skate;
  • permaneceu quando muita gente já tinha virado ata de condomínio;
  • e seguiu circulando por este país a bordo do mítico, histórico, único, insubstituível e talvez juridicamente indefinível Kiko Móvel.

O Kiko Móvel, registre-se, não é um carro.
É uma entidade.

Uma plataforma de deslocamento poético.
Um artefato de utilidade pública ainda não reconhecida.
Uma espécie de patrimônio histórico sobre rodas cuja vistoria, por prudência institucional, talvez seja melhor não solicitar.

Já carregou skate, amigo, bagunça, memória, ferramenta, improviso, dignidade parcial, um que outro varal e a convicção inabalável de que sempre haverá mais uma skatetrip esperando alguns quilômetros adiante.

Há quem diga que o Kiko Móvel roda a álcool, diesel ou gasolina.

Mentira.

O Kiko Móvel roda por teimosia, amizade e um inusitado combustível orgânico, renovável, sustentável e verde, cuja composição o Ministério de Minas e Energia, felizmente, ainda não investigou.

E assim segue para mais um drop o nosso Kiko:

51 anos de idade e nenhuma vocação para comportar-se de maneira compatível com a expectativa social de envelhecimento.

Neste aniversário, não desejamos apenas saúde, paz e prosperidade, porque isso qualquer impregnante, prego ou poser desejaria.

Velhos Malucos desejam que Kiko continue:

  • espalhando o folclore da Cultura Skateboard pelas Gerais e pelo mundo;
  • promovendo a desordem afetiva que mantém a chama acesa;
  • andando de skate como quem assina presença no mundo;
  • moendo bordas;
  • acumulando quilometragem;
  • e mantendo em funcionamento este raro milagre brasileiro: um homem que jamais desejou tornar-se importante demais para continuar divertido.

Que siga sendo nosso herói autóctone: insistente, recorrente, estiloso, indolente, incansável e sem JAMAIS abandonar o nosso genuíno Skateboard.

Parabéns, KIKO GOD.

Divinópolis deu ao Brasil Adélia Prado.

E Kiko God das Gerais deu ao Skate Mineiro, Brasileiro e Mundial uma contribuição que ninguém mais poderia oferecer:

ele próprio.

Insistente. Recorrente. Estiloso. Indolente.

O autêntico.
O genuíno.
O absolutamente incorrigível

KIKO ROCK!!!!!!


Fechamento editorial

Há figuras que permanecem no skate não porque foram congeladas numa fase, em títulos, em videos e fotografias ou numa época, mas porque continuam produzindo presença.

Assim é o nosso Kiko GOD!

Sua trajetória ajuda a lembrar que o skate também é feito de permanência, amizade, estrada, humor, resistência cultural e da capacidade rara de continuar andando quando quase todo o resto já mudou.

Esta homenagem não pretende encerrar uma história.

Pretende apenas registrar, em 1º de outubro de 2026, que Kiko Rock segue em atividade.

E o Kiko Móvel, também!


Expediente

Central do Skate
Cultura, memória, formação e informação sobre Skateboard.

Texto e homenagem: Frederico Manica
Edição: Central do Skate
Imagem: Arquivo / acervo do homenageado
Data: 1º de outubro de 2026

Itapema — Santa Catarina — Brasil

Tags: Kiko Rock; skate mineiro; Divinópolis; história do skate; cultura skateboard; skate brasileiro; lendas do skate; Kiko Móvel; skate old school; Central do Skate.