Frederico Manica
21/09/2026
Atualizado em 22/09/2026
Quem construiu o skate brasileiro antes da fama? Frederico Manica relaciona o Bacharel de Cananéia aos pioneiros do skate e questiona como a seleção de protagonistas pode distorcer a memória de uma cultura construída por gerações.
O Bacharel de Cananéia, as primeiras gerações do skate brasileiro e a diferença entre fazer história e ocupar o lugar de quem a fez.
Há uma diferença fundamental entre descobrir alguma coisa e chegar a um lugar onde outros já construíram uma história.
Em 1531, quando Martim Afonso de Sousa chegou à região de Cananéia, encontrou um homem conhecido como o Bacharel, que, segundo o relato de Pero Lopes de Sousa, estava havia aproximadamente trinta anos naquelas terras.
O Bacharel já estava lá.
E, antes dele, estavam os povos indígenas, com suas culturas, seus conhecimentos, suas relações e suas histórias.
A chegada de uma expedição portuguesa não inaugurou a existência daquele território. Inaugurou outro capítulo de sua história, contado predominantemente por quem dispunha dos instrumentos para registrá-lo, administrá-lo e incorporá-lo aos domínios da Coroa.
É aí que começa uma reflexão necessária sobre o skate brasileiro.
Uma história pode ser contada sem ser inteiramente falsa e, ainda assim, produzir uma compreensão profundamente equivocada de seus protagonistas.
Basta começar pelo capítulo errado.
Basta escolher determinados personagens, iluminar suas trajetórias e deixar os demais fora do enquadramento.
Basta fazer uma geração parecer fundadora de uma cultura que já havia sido construída, praticada, defendida e transformada por outras pessoas.
Não é preciso apagar um nome dos arquivos para apagá-lo da memória coletiva. Às vezes, basta parar de pronunciá-lo.
Comecei a andar de skate em 1985, aos 11 anos de idade.
Não fui testemunha do nascimento do skate brasileiro. Entrei em uma cultura que já tinha seus protagonistas, seus campeonatos, suas pistas, seus conflitos, sua indústria e sua identidade em formação.
Quando subi pela primeira vez em um skate, Sérgio Negão já competia. Ataliba, o Tio Liba, já fazia parte de uma geração que ampliava os limites do skate vertical. Roberto Hoho também pertencia àquela história que eu estava começando a conhecer.
Não eram personagens que surgiriam posteriormente para preencher as lacunas de uma narrativa.
Eles já estavam lá.
E não digo isso apenas porque guardo lembranças daquela época.
Nosso Superstar dos anos 80, Sérgio Negão, conta que conheceu o skate no final de 1979. Em uma passagem, lembra que ele e Tio Liba chegaram a dormir em uma praça diante do Itaguará Country Club para competir no dia seguinte, depois de terem sido roubados.
Roberto Hoho fazia história no skate de Campo Grande, no Rio de Janeiro.
São alguns exemplos. Não são os únicos.
Outros brasileiros também já haviam contribuído muito para construir o skate nacional, muito antes de ele receber o reconhecimento comercial e institucional que hoje conhecemos.
Formiga. Chico Preto. Cuca Gianotti, Moskito, Fornari, Farinha, J.M., Marreta, Alvaro Fazio. Havia Mendonça, Tonel, Kolling, Miquim, Arturzinho e Tomate. Havia Juarez, havia Dr. Lucas, havia Dr. Bayard, havia Renatão. Havia Dota, havia John, havia Bicalho, havia Alan. Guto Jimenez, Calmon, e Alvalex, Cesinha, Salada e Osmar Fossa. Junae, Alexandre Ribeiro, Adelmo Jr. E os irmãos: Osmar e Oscar Latucca. Indio e Nando Tassara. Mico e Paulo Sefton. Pio e Ulo. Os retrateadores Petrônio Vilela e Daniel Bourqui.
E nas sessões na Sub: Kennedy, Schaun, Alzie, Michel, Mania, Mamão. Alex, Bozo, Maurício. Carapa. Negão Paulinho. Monguinha. Luiz Arthur, Pepe, York, Orelha. E o Rochinha. Márcio Martins da Rocha. Que ensinou o Brasil a fazer shapes resistentes e duráveis. Nosso Rochinha.
Depois, Cromado, Silvio Criatura, Dé, Didi, a Old Sapucaia Crew, que manteve a brasa acesa quando quase tudo se apagou, quando já quase não havia chama.
Lorenzo, hoje treinador do Alto Rendimento Skate de Itajaí, em Santa Catarina, foi meu estagiário no Skate da Sogipa, no início dos anos 2000. Desde então, mais de duas décadas se passaram. Vieram Guto, Nando e Tatu, veio Pedrinho, Branco e mais recentemente Dudu em Viamão.
E temos Cipriano Cypress na Prefeitura de Taubaté, Teleco Ralaosso no Loyola em Beagah. Nosso Cesinha no Rio. Badá em Aracaju. Ilzeli em Natal. Igor Bob no Mato Grosso. Vaguetti e Bruno na ABC do Skate UFPel — Universidade Federal de Pelotas. Temos Kiko em São Leo, Piva, Tiago e Carla da Mata no Piaui, temos Cabecinha em Natal e Kiko em Divinópolis. Temos Chulé, Dadinho, Gema, Toco e Pipoca no Kaveras, temos Magal na CDD, temos Fel em BC, temos Tomás, Rossano, Bob, Leo, Adriano e Ricardo Pimenta em Floripa, e temos Rodrigo em Indaial, George em Blumenau. André Camarão em Santana do Parnaíba. Caio Neva em Jabaquara. E Lorena, Kaciene e Mariana, e Gabi e Ana, Vitória e Yasmin, e Elena La Piedra na Espanha. Mulheres atuantes em todas as esferas e vertentes do Skateboard brasileiro e MUNDIAL.
E muito, mas muito mais, só citando alguns expoentes geográficos. Citar nomes nos leva a cometer faltas e esquecimentos importantes, que me esforçarei para completar em outros artigos.
A história de uma cultura não começa quando alguém consegue vendê-la melhor.
Também não começa quando aparece na televisão, entra nos Jogos Olímpicos ou encontra uma empresa interessada em transformar seus protagonistas em produtos.
Em 1985, quando comecei a andar de skate, eu não estava inaugurando uma história. Estava recebendo uma herança.
E reconhecer isso nunca diminuiu a minha própria trajetória.
Pelo contrário.
Foi o que me permitiu compreender a dimensão daquilo de que eu estava passando a fazer parte.
Um pesquisador não precisa acreditar nas minhas lembranças para descobrir que o skate brasileiro já possuía uma organização significativa antes de 1985.
Estamos falando de uma cultura que já possuía memória, organização e protagonismo em diferentes regiões do Brasil.
E, mesmo assim, é possível produzir hoje uma representação pública dessa história que faça parecer que tudo começou depois.
Como?
Escolhendo quem aparece.
Um documentário pode reunir pessoas que efetivamente contribuíram para determinado período, mas apresentar esse período como se representasse a história inteira.
Uma homenagem pode celebrar realizações legítimas de determinados skatistas e, ao mesmo tempo, deixar de reconhecer aqueles que tornaram essas realizações possíveis.
Uma exposição pode possuir fotografias verdadeiras, depoimentos autênticos e datas corretas e ainda oferecer uma narrativa incompleta.
A distorção da memória histórica nem sempre exige inventar acontecimentos.
Muitas vezes, consiste em transformar uma parte verdadeira no lugar do todo.
Voltemos a 1531.
Martim Afonso de Sousa chegou à região de Cananéia e encontrou o Bacharel.
Pero Lopes de Sousa registrou que aquele homem estava havia aproximadamente trinta anos naquelas terras. A identidade do Bacharel continua sendo objeto de discussão historiográfica, mas sua presença naquele encontro está documentada.
É justamente essa complexidade que torna o episódio tão instrutivo.
A chegada de Martim Afonso não inaugurou a vida naquele território. Entretanto, sua expedição passou a integrar um processo de colonização que organizaria a administração portuguesa e produziria os registros a partir dos quais muitos brasileiros aprenderiam, séculos depois, a história do próprio país.
O poder de conquistar, administrar e registrar também influencia o poder de estabelecer quais acontecimentos serão considerados marcos históricos.
Essa relação não significa que todo documento oficial seja falso ou que toda narrativa posterior seja uma fraude.
Significa que precisamos perguntar quem produziu os registros, quais interesses estavam envolvidos e quais experiências ficaram de fora.
O paralelo com o skate está precisamente aí.
O skatista que dispõe de uma equipe de comunicação, uma empresa patrocinadora, acesso a grandes eventos ou relacionamentos institucionais pode alcançar espaços de visibilidade que outros jamais tiveram.
Nada disso, isoladamente, desqualifica sua contribuição.
Mas visibilidade não comprova precedência histórica.
Uma fotografia publicada hoje não faz de alguém o primeiro a realizar aquilo que outros já faziam décadas antes.
Uma homenagem não transforma seu homenageado no fundador de uma cultura.
E um contrato comercial não transfere para ninguém a autoria da história coletiva.
Aqui chegamos ao problema que realmente me preocupa.
O skate brasileiro passou décadas construindo seus próprios meios de expressão, profissionalização e sobrevivência.
Houve quem andasse sem patrocínio.
Quem viajasse por conta própria.
Quem organizasse campeonatos.
Quem construísse pistas.
Quem ensinasse outras pessoas.
Quem enfrentasse proibições.
Quem preservasse fotografias, revistas, resultados e conhecimentos técnicos quando quase ninguém estava interessado em guardá-los.
Parte dessa trajetória pode ser consultada em registros jornalísticos e pesquisas acadêmicas.
Agora imagine que uma grande produção audiovisual se proponha a contar a história do skate brasileiro.
Ela reúne nomes conhecidos, apresenta imagens impressionantes, entrevista personagens influentes e constrói uma narrativa emocionante.
O público se encanta.
A imprensa repercute.
As redes sociais reproduzem.
Pouco a pouco, aquela seleção de personagens passa a ser confundida com a própria história.
As pessoas que ficaram de fora continuam existindo.
Suas contribuições também.
Mas deixam de participar da memória que chega às novas gerações.
É assim que uma omissão editorial pode produzir consequências culturais muito superiores às intenções de quem a praticou.
E existe uma responsabilidade adicional quando a seleção é apresentada como uma representação histórica abrangente, e não simplesmente como o recorte que efetivamente é.
O problema não é alguém contar a própria história. O problema começa quando a própria história é apresentada como se fosse a história de todos.
Essa pergunta precisa ser enfrentada sem transformar a defesa dos pioneiros em outra forma de injustiça.
A resposta depende do que significa ocupar aquele lugar.
Um skatista de uma geração posterior pode ter realizado contribuições extraordinárias. Pode ter desenvolvido novas manobras, conquistado títulos internacionais, ampliado a popularidade da modalidade e inspirado milhões de pessoas.
Sua trajetória merece ser documentada de acordo com aquilo que efetivamente realizou.
Não seria correto negar essas contribuições simplesmente porque ele nasceu depois.
Mas existe uma diferença entre celebrar sua importância e apresentá-lo como representante de uma história que começou antes de sua participação.
Se o tema é uma geração específica, é necessário identificar quem a integrou.
Se o tema é o pioneirismo técnico, precisamos investigar quem realizou, desenvolveu e difundiu determinada contribuição.
Se o tema é a profissionalização do skate, é preciso examinar os acontecimentos, seus protagonistas e suas datas.
Se o objetivo é apresentar a história abrangente do skate brasileiro, não basta reunir personalidades reconhecidas pelo público contemporâneo.
É necessário atravessar as décadas.
Ouvir diferentes gerações.
Investigar diferentes regiões.
E admitir que nem todos os protagonistas históricos se tornaram celebridades.
A data de nascimento, por si só, não estabelece o pioneirismo de ninguém. O que importa é a participação documentada de cada pessoa nos acontecimentos que se pretende narrar.
Não reivindico que os mais antigos sejam colocados à frente por serem mais velhos. Reivindico que sejam reconhecidos pelo que fizeram, quando fizeram e pelo que tornaram possível.
Isso não é uma disputa por antiguidade.
É uma questão de integridade histórica.
É uma pergunta incômoda.
E deve continuar sendo.
Quando alguém é convidado a representar uma trajetória coletiva, especialmente uma cultura construída por muitas gerações, existe uma responsabilidade que ultrapassa sua biografia individual.
O convidado pode desconhecer a abrangência do projeto.
Pode imaginar que está participando de um documentário sobre determinado período.
Pode acreditar que outras gerações também foram ouvidas.
Pode nem sequer ter influência sobre a edição final.
Por isso, não seria correto atribuir automaticamente a cada participante a intenção de apagar seus predecessores.
Mas o problema ético se apresenta com clareza quando alguém sabe que está sendo apresentado como protagonista de uma história mais antiga do que sua própria participação.
O que faz diante disso?
Aceita silenciosamente uma representação que sabe ser incompleta?
Reivindica os nomes que deveriam estar presentes?
Explica publicamente a quem deve parte de sua formação?
Ou prefere usufruir da posição que lhe foi oferecida?
Não tenho como responder por cada pessoa.
Mas posso dizer qual princípio orienta minha própria relação com o skate:
Quando me oferecem um lugar que não explica adequadamente quem veio antes de mim, tenho a responsabilidade de apontar para trás.
Reconhecer um predecessor não diminui a minha história.
Não transfere minhas conquistas para outra pessoa.
Não exige que eu renuncie ao meu trabalho.
Apenas impede que eu utilize a ausência dos outros como instrumento de engrandecimento pessoal.
E isso deveria ser especialmente importante no skate, uma cultura que aprendeu a transmitir seus conhecimentos de geração em geração.
A história do skate não é propriedade de uma emissora, de uma confederação, de uma marca, de um patrocinador ou de um grupo de pessoas influentes.
Também não pertence exclusivamente aos skatistas mais antigos.
Ela é um patrimônio coletivo, formado por experiências individuais que precisam ser investigadas, contextualizadas e preservadas.
Há uma diferença entre possuir o poder de organizar uma narrativa e possuir a autoridade histórica para determinar o que aconteceu.
A primeira condição pode ser obtida com dinheiro, influência ou acesso aos meios de comunicação.
A segunda depende de evidências.
Precisamos de fotografias identificadas, revistas preservadas, documentos, resultados de campeonatos, registros audiovisuais e depoimentos confrontados com outras fontes.
Precisamos conhecer os fotógrafos que documentaram o skate.
Os organizadores que mantiveram seus eventos.
Os construtores de pistas.
As mulheres que participaram dessa cultura mesmo quando recebiam pouca visibilidade.
Os skatistas de cidades afastadas dos centros de comunicação.
Os profissionais que abandonaram a atividade por falta de condições materiais.
Os que chegaram ao mundo antes da chegada do reconhecimento.
A memória oral também importa. Mas ela precisa dialogar com a documentação e com os testemunhos de outras pessoas.
Sem isso, corremos o risco de combater uma narrativa incompleta construindo outra igualmente incompleta.
E não é essa a história que pretendo defender.
Para mim, essa discussão ganha uma dimensão particularmente importante quando pensamos na formação das novas gerações.
Uma criança que começa a andar de skate hoje não tem obrigação de conhecer espontaneamente Sérgio Negão, Tio Liba ou Roberto Hoho.
Alguém precisa apresentá-los.
Alguém precisa explicar o que já existia antes dos grandes campeonatos televisionados, dos patrocínios milionários e das atuais estruturas de treinamento.
Alguém precisa mostrar que cada nova geração recebe conhecimentos que foram desenvolvidos e transmitidos por outras.
Essa responsabilidade pertence também aos instrutores, técnicos, professores, pesquisadores, jornalistas, editores e organizadores de eventos.
Não basta ensinar o nome de uma manobra sem investigar sua história.
Não basta apresentar uma fotografia histórica sem identificar quem está nela.
Não basta homenagear os campeões mais conhecidos e deixar de reconhecer quem contribuiu para construir as condições que permitiram suas conquistas.
Também não basta repetir histórias porque foram contadas por pessoas respeitadas.
A admiração não substitui a investigação.
E o respeito aos pioneiros exige mais do que reverência.
Exige documentação.
Precisamos preservar suas trajetórias enquanto ainda podemos conversar com eles, identificar os registros e confrontar as diferentes versões dos acontecimentos.
Cada testemunho não registrado é uma oportunidade de conhecimento que pode desaparecer.
Cada fotografia sem identificação é uma parte da memória ameaçada.
Cada acervo descartado pode representar uma lacuna que nunca mais conseguiremos preencher.
Não basta aplaudir as lendas. Precisamos impedir que suas histórias desapareçam.
Volto, por fim, à imagem que deu origem a esta reflexão.
O Bacharel estava em Cananéia quando Martim Afonso chegou.
E, antes do Bacharel, já existiam os povos originários daquele território.
A história não começou com a chegada de quem mais tarde ocuparia os capítulos centrais dos livros.
No skate brasileiro, também precisamos aprender a distinguir a chegada de novos protagonistas da existência daqueles que os precederam.
Sérgio Negão, Tio Liba, Roberto Hoho e tantos outros não precisam que inventemos feitos para engrandecê-los.
Precisam que investiguemos e preservemos os feitos que efetivamente realizaram.
E eu, que comecei a andar de skate em 1985, não preciso diminuir nenhuma geração posterior para reconhecer a importância de quem já estava andando antes de mim.
Há lugar para todos na história.
Mas não podemos permitir que a distribuição desse espaço dependa exclusivamente de quem controla a narrativa.
Porque, quando um personagem desaparece da memória coletiva, não desaparece apenas seu nome.
Desaparecem os caminhos que percorreu.
As dificuldades que enfrentou.
As contribuições que ofereceu.
E as oportunidades de compreender como chegamos até aqui.
Nosso Sérgio Negão gosta de repetir, "que a história não mente jamais.'
Talvez seja verdade quando falamos daquilo que efetivamente aconteceu.
O problema é que os acontecimentos não escrevem livros, não editam documentários, não escolhem fotografias e não distribuem homenagens.
São pessoas que fazem isso.
Pessoas que selecionam protagonistas, estabelecem marcos, organizam arquivos e decidem o que será apresentado ao público.
E, quando suas escolhas são incompletas, outras pessoas têm a responsabilidade de investigar, recuperar e corrigir.
Não somos obrigados a aceitar uma narrativa simplesmente porque ela foi publicada, televisionada, patrocinada ou institucionalizada.
Também não temos o direito de substituí-la por outra sem investigar os fatos.
Nossa responsabilidade é maior.
A História não precisa mentir para que a verdade desapareça. Basta que alguém escolha quem será lembrado.
E cabe a nós não permitir que essa escolha seja o último capítulo.
Não queremos tomar o lugar de ninguém na História.
Queremos impedir que alguém tome o lugar da História.
Frederico Manica
A relação construída pelo autor é simples: quando Martim Afonso chegou a Cananéia, encontrou pessoas que já estavam lá — e, antes delas, os povos indígenas. Da mesma forma, quando Frederico começou a andar de skate, em 1985, encontrou uma cultura construída por gerações anteriores. O paralelo questiona a confusão entre chegar, ganhar visibilidade e ser reconhecido como fundador de uma história.
Fontes e referências 1. Documentação histórica sobre Cananéia SOUSA, Pero Lopes de. Diário da navegação de Pero Lopes de Sousa, 1530–1532: documentos e mapas. Edição de 1927.
Central do Skate | Cultura, Educação e Memória Skateboard
Autoria: Frederico Manica
Gênero: Ensaio histórico e cultural
Veículo: Central do Skate — www.centraldoskate.com
O epílogo foi elaborado como recurso de mediação editorial, destinado a tornar mais acessível ao público geral a relação histórica estabelecida por Frederico Manica entre o Bacharel de Cananéia e os pioneiros do skate brasileiro. Sua função é esclarecer a analogia, sem substituir, modificar ou ampliar a tese do autor.
Expediente editorial: AG5 — Agência de Conteúdo | Cinco Continentes Editora LTDA.
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